sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Turismo na cidade de Ingá

RESUMO
O presente trabalho consiste na prospecção do potencial turístico da Itacoatiara do Ingá, monumento arqueológico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, por ser considerado como um dos mais importantes de seu gênero no Brasil.
Embora ainda sejam um mistério as inscrições que recobrem a Pedra do Ingá, maciço formado por blocos de gnaisse, são fonte de estudos para arqueólogos profissionais e amadores, pois podem esclarecer detalhes da vida cotidiana dos habitantes primitivos daquela localidade.
Esse artigo pretende mostrar o grande potencial turístico cultural que existe naquele sítio arqueológico, hoje pouquíssimo divulgado e explorado de maneira irregular. Os aspectos estudados fazem parte da busca do conhecimento para apresentação de medidas que ajudem a desenvolver o turismo cultural na Paraíba.

INTRODUÇÃO

Sabemos que o turismo exerce, atualmente, um papel decisivo em vários países, sendo, em muitos casos, o verdadeiro carro-chefe dos desenvolvimentos econômico, social e cultural.
O Brasil vem, ano a ano, preocupando-se e dando atenção ao desenvolvimento turístico de diversas regiões do país. O potencial que a nação possui é realmente gigantesco: riquezas naturais e culturais, além de um povo que tem um calor humano muito grande. De acordo com a EMBRATUR, o Brasil conta atualmente com mais de mil municípios com potenciais turísticos. Cabe a cada um deles procurar desenvolver e explorar seus atrativos, atentando-se para a questão da hospitalidade.
Assim, tomaremos como discussão o município de Ingá, no interior da Paraíba, o qual ainda não despertou para o seu potencial. Cabe aqui ressaltar que o poder público exerce um papel fundamental na hora de alicerçar um plano de desenvolvimento turístico sustentável, em parceria com a iniciativa privada. Mas sem dúvida, sem a participação da comunidade receptora, falta o alicerce para sustentação e o sucesso da atividade.
A Pedra do Ingá localizada no municipio de Ingá é um monumento arqueológico, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), considerado, por muitos estudiosos, como um do mais importantes de seu gênero no Brasil. As inscrições despertam interesse de cientistas, pois podem reunir muitas informações sobre a vida e os costumes do homem pré-histórico em nosso continente. A Itacoatiara do Ingá é considerada como um dos monumentos arqueológicos mais significativos do Nordeste (CLEROT, 1969).
Estudos indicam que todas as constelações zodiacais encontram-se devidamente representadas nas inscrições do platô da Pedra; sendo que a situação equinocial do Escorpião permite supor que as inscrições sejam anteriores a 2.100 a.C. (A saga da astrologia no Brasil).
A escrita do Ingá é, talvez, o único documento epigráfico indecifrado (BRITO, 1993). Embora ainda cobertas de mistério, as inscrições que recobrem o bloco lítico são, há bastante tempo, fonte de estudos para arqueólogos profissionais e amadores, pois podem esclarecer detalhes da vida cotidiana dos habitantes primitivos daquela localidade. Muitas especulações são feitas a respeito de tais figuras rupestres: seriam elas o registro de um contato com alienígenas? O ar fantástico e misterioso da Itacoatiara do Ingá só motiva, ainda mais, o interesse por sua história e, como não poderia ser diferente, as visitas de curiosos ao local.
O fascinante mundo do enigmático vai permitir uma curiosa viagem pela Itacoatiara do Ingá, documento lítico ainda não decifrado e principal ponto de curiosidade dos turistas epesquisadores que visitam a Paraíba. Seja qual for a sua significação a “Pedra Lavrada” do Ingá indecifrada ou inexplicada constitui um interessante e valioso documento da nossa pré-história.
A pedra que é formada por blocos de gnaisse divididos em três painéis, tendo o bloco principal 24 metros de comprimento por 3,8 m de altura. Há muitos sulcos e pontos capsulares seqüenciados, ordenados, que lembram constelações, embarcações, serpentes, fetos e variados animais, todas parecendo o modo que os indígenas ou os visitantes de outras latitudes tinham para anunciar idéias ou registrar fatos e lendas.
Esse estudo pretende mostrar o grande potencial turístico cultural que existe naquele sítio arqueológico, hoje pouquíssimo divulgado e explorado de maneira extremamente
irregular.
O objetivo deste trabalho é mostrar a capacidade turística das Itacoatiara do Ingá, um lugar que ainda guarda segredos e mistérios. Portanto está sendo proposto um conjunto de ações estratégicas para incrementar as atividades turísticas no Município do Ingá, na Paraíba, diagnosticar o potencial turístico e elaborar propostas para desenvolver o turismo em parceria com os Órgãos de turismo e sugerir o envolvimento da comunidade local nas ações de planejamento do turismo sustentável.

A Itacoatiara do Ingá e o Turismo

Até hoje a visita de turistas à Itacoatiara do Ingá é esporádica e tem apenas um caráter turístico complementar. Ou seja, o município do Ingá e sua Itacoatiara não estão, necessariamente, nos roteiros de viagem praticados na Paraíba. Porém, os turistas de passagem para centros mais próximos, como Campina Grande, João Pessoa, Itabaiana ou Caruaru, algumas vezes, estendem sua curiosidade e, segundo os moradores do município, “dão uma entradinha para ver a pedra” (Cavalcanti et al, 1993).
Neste contexto, o turismo desenvolvido é predatório, pois as festividades têm sido realizadas dentro, ou melhor, nos arredores do monumento arqueológico. São instaladas barraquinhas para a venda de bebidas, comidas típicas e artesanato onde são instalados aparelhos de som. Resultado: o lixo acaba sendo jogado no rio ou nos “buracos” da Itacoatiara; enquanto a própria pedra é utilizada como passarela para desfiles, forrós e encontros. Esse comportamento revela que os interesses pelo turismo e pela preservação das inscrições são mínimos. A população, em geral, por razões ligadas à sua condição social, pela falta de meios de formação e informação, pela revolta por seus baixos salários e péssimas condições de vida, não consegue perceber a importância que a “pedra lavrada” tem.
No local foi construído um restaurante e surgiu um Museu de História Natural, que acolhe cerca de duas dezenas de fósseis de animais que aí viveram, retirados do sítio Maringá e em Riachão do Bacamarte (SITIOS ARQUEOLÓGICOS DA PB, 2003).
O que se tem notado ultimamente é que, embora as Itacoatiara não tenham atraído o turismo doméstico, há muita presença de turistas de outros países, que vem através de pacotes, normalmente oferecidos por agências receptivas de Natal e que passam de forma rápida, sem ter gastos financeiros no local.

Revitalização do Sítio Arqueológico

A Pedra Lavrada pode vir a ser o instrumento do retorno à prosperidade econômica e social do município. Para isso, ela precisa ser respeitada, bem tratada e preservada.
É necessário manter sempre em bom estado de conservação a rodovia PB 095 que liga a BR 230 até Ingá, pois esta invariavelmente, encontra-se em mau estado de conservação, já que sua construção inicial não foi de boa qualidade.
É preciso uma fiscalização mais intensa, visando coibir a presença de vândalos, ou ainda de pesquisadores, como aconteceu com o Professor Joel Rotd que se valeu dos conhecimentos arqueológicos das professoras Gabriela Martin (UFPE) e Maly Trevas e, por conta do material corrosivo que utilizaram em suas pesquisas, as inscrições da parte esquerda da Pedra estão desaparecendo. Essa pesquisa foi feita sem autorização do IPHAN e foi noticiada na imprensa pessoense (O Norte, João Pessoa, 04nov2001).

É preciso preparar melhor os funcionários incumbidos de cuidar do local, para que, ao chegarem pessoas dizendo-se autorizadas por determinado órgão ou pessoa, para que a informação seja checada, antes de se autorizar qualquer ação no sítio arqueológico.
É necessário uma melhor estruturação do local, com bom restaurante, instalações sanitárias adequadas e limpas, local para venda de produtos regionais, livros e material de informações sobre o local.
É preciso fazer uma estrutura de proteção das pedras, visando evitar o desgaste pela própria natureza ou ação de vândalos. Há apenas uma corda ao redor da pedra principal.
É necessária uma melhor divulgação, mostrando a importância de conhecer parcela importante dos antigos homens que passaram ou viveram nessa terra e ainda ter uma chance de redenção econômica para o município: o turismo.

A Cidade de Ingá e o seu Potencial Turístico

Ingá é um município situado no Agreste Paraibano, com 197,1 km² e sua população, de acordo com o Censo 2000, é de 17.939 habitantes. Faz limites com os seguintes municípios: Serra Redonda, Massaranduba, Campina Grande, Itaituba, Mogeiro e Juarez Távora. Seu clima é seco, com temperaturas máximas de 37 graus e mínima de 22 graus. O inverno começa em abril e se estende até junho.
O município ficou famoso por causa de uma pedra misteriosa e cheia de segredos. Por volta de 1599, houve o primeiro contato do homem branco com as terras do município de Ingá. A povoação dessas terras só teria se iniciado no século XVII, a partir de pousadas à sombra de enormes ingazeiros (daí o nome de origem), que na naquela época existiam à margem do rio, sendo que o primeiro aglomerado populacional foi a antiga povoação do Bacamarte, justamente no local onde hoje está a ponte de cimento armado que liga dois bairros da cidade.
Em meados do século XVII já se encontravam instalados na região do Ingá pequenos situantes e grandes criadores de gado. Surgiram grandes propriedades com construções de capelas dedicadas a Nossa Senhora da Conceição, em torno da qual se formou um povoado que prosperou graças às condições favoráveis da área para o cultivo de algodão e de culturas como milho e feijão.
É uma cidade que guarda lembranças do tempo dos escravos, mas também chama a atenção por pequenas modernidades. Nos lados de uma rua se pode ver o que um dia foi uma senzala e uma casa de senhor de escravos: a senzala está abandonada. A casa-grande, habitada e equipada com antena parabólica (O Norte, 06abr2003).

PROPOSTAS DE AÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DA
ITACOATIARA DO INGÁ


Após o diagnóstico do potencial turístico da região, observou-se a necessidade de melhorias consideráveis na região para que a mesma possa ser incluída dentro de um projeto turístico no Estado da Paraíba.
Diante da atual conjuntura em que se encontra a Itacoatiara do Ingá, necessário se faz elaborar um planejamento estratégico que vise dar condições de tornar o local um atrativo turístico. Deste modo propõe-se:
· Promover campanhas educativas para a comunidade local, visando esclarecer e informar a importância do turismo como agente fomentador de divisas para a região e melhoria na qualidade de vida.
· Envolver os moradores locais, treinando-os e preparando-os para receber turistas e com isto aumentar suas rendas familiares.
· Em parceria com Universidades e Órgãos Governamentais e entidades privadas, elaborar um plano de preservação e conservação das Itacoatiara.
· Construção de hotel/pousada e restaurante, visando dar um melhor conforto e até mesmo uma maior permanência do turista no local.
· Organizar um turismo receptivo com origem no Estado da Paraíba.
· Sinalização ao longo das rodovias informando aos viajantes a existência de um sítio arqueológico. No caso da BR 230, a sinalização deveria existir também na saída de João Pessoa. Isso certamente criaria interesse nas pessoas em visitar o local e até mesmo tomar conhecimento da existente, já que é comum as pessoas dizerem que nunca ouviu falar da Pedra do Ingá.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Hoje, por incrível que possa parecer, o monumento da Itacoatiara do Ingá desperta mais interesse para os estrangeiros. Nota-se que são poucos os paraibanos que conhecem ou tem algum interesse em conhecer a sua existência, talvez pela falta de divulgação e pela falta de informações . Até para os estudantes, de todos os graus, a sua importância é relevante, pois não é em qualquer lugar do mundo que se pode ver um monumento desse tipo sobre o qual praticamente tudo ainda está para ser descoberto.
Necessário de faz também é melhorar a estrutura do local, dando melhor conforto ao
turista e provocando uma permanência maior no local. Hoje o turista passa rapidamente pelo local, de meia hora à uma hora, pois não tem qualquer atração complementar que estimule uma permanência maior.
Conforme se verifica no local, é necessário melhorar os aspectos que visem a preservação das inscrições, fazendo-se estruturas para impedir a ação de pessoas desordeiras e inclusive da própria ação do tempo, pois se corre o risco de se perder um patrimônio tão valioso. Há apenas uma corda cercando a Pedra Lavrada do Ingá.
O sítio arqueológico fica em lugar de fácil acesso, com rodovia asfaltada até o local e próximo de João Pessoa (85 km) e de Campina Grande (42 km), localidades com aeroporto e infra-estrutura hoteleira.
Uma atuação conjunta dos Órgãos Municipais, Estaduais e Federais interessados na Proteção do Sítio Arqueológico é de extrema importância. É interessante que a iniciativa privada juntamente com os órgãos governamentais se unam e desenvolvam uma estratégica turística e de preservação da Pedra do Ingá.
Com esse trabalho espera-se contribuir para o desenvolvimento do turismo na Pedra do Ingá, para a cidade do Ingá e sua população.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Horácio de. História da Paraíba. Tomo I. João Pessoa: Editora Universitária - UFPb, 1993.
BRITO, Gilvan de. Viagem ao desconhecido: os segredos da pedra do Ingá (inclui outros registros
rupestres). 3.ed. Brasília: Senado Federal, 1993.

CLEROT, Leon Francisco R. 30 anos na Paraíba (memórias corográficas e outras memórias). Rio de Janeiro: Pongetti,1969.

DESTRUIÇÃO da Pedra do Ingá. O Norte, João Pessoa, 04 nov. 2001.

3 comentários:

Anderson disse...

Muito bom o seu blog. Tem muitas informações relevantes sobre a cidade. Estou planejando um documentário sobre o lugar e essas informações me serão muito úteis.
Até mais.

Anônimo disse...

Excelente a iniciativa para promover a preservação das itacoatiaras. Há muitos anos tive o prazer de conhecê-las ainda estudante de geografia, quando fiz parte do grupo de universitários baianos-feirenses que através do projeto universidade solidára desenvolvir projetos com os jovens ingaenses. Talvez muitos jovens hoje adultos ainda se lembrem do nosso grupo e o quanto ficamos encantados com as itacoatiaras
Abraços e sucesso!
Alberto Amorim.

Leonardo Chaves disse...

É sempre uma satisfação ver que pessoas como você estão procurando fazer algo,como esse blog, para divulgar e conscientizar pessoas, para essa maravilha que é o Sítio Arqueológico. Sou de Olina - PE, mas tenho uma ligação (talvez espiritual, não sei... com aquele lugar) prometi ao pessoal de lá da Sociedade de Arqueologia que iria ser um aliado na divulgação e preservação do Sítio. Em breve, talvez eu mesmo coloque um blog no ar, mais voltado para o pessoal de fora,que, ou nunca ouviu falar, ou já ouviu, mas não sabe como é que faz, ou tem aquele preconceito velho de achar q no nosso Nordeste só tem apenas mato,cobra, enfim... Boa sorte e sucesso pra vc e parabéns pela iniciativa.