segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

OS NATIVOS: O HOMEM E A TERRA

A história da ocupação humana do território do Ingá, antes da chegada do europeu, é ainda desconhecida. Não se sabe ao certo quando e como ocorreu o surgimento do homem nesse espaço (como de resto em todo o continente americano) e o pouco que sabe é confuso e controvertido. Os dados existentes se referem ao povoamento na época da conquista européia e mesmo esses são contraditórios.
Alguns historiadores afirmam que de Copaoba (Serra da Raiz) até o sul o atual Estado da Paraíba, com exceção do litoral, não havia aldeias indígenas.

“Toda a caatinga litorânea que vai de Guarabira a Pedras de Fogo através de Magoa Grande, Mulungu, Alagoinlia, Araçá, Sapé, Salgado, Pilar, Gurinhém, São Miguel de Taipu, Itabaiana e Mogeiro, Natuba, Aroeira, Umbuzeiro era terra desocupada. Pelo menos assim foi encontrada na época da conquista. Nenhuma aldeia por aquelas bandas nem mesmo no Ingá” (Almeida, 1978, p.75)

Ao contrário, Balduíno Lélis - estudioso das itaquatiaras - afirma que os conquistadores europeus, ao chegarem à área hoje ocupada pelo Ingá, estabeleceram contatos com os nativos ali fixados: os cariris da tribo sucuru. No entanto, segundo Lélis, não foram os cariris nem os tupis que fizeram as inscrições da Pedra Lavrada. Isso teria ocorrido em época mais remota, muito antes da chegada desses grupos.
Depois do povo que esculpiu a pedra e, antes dos cariris, teria vivido nessa área, um grupo que já conhecia a cerâmica (que os cariris desconheciam), pois ali foram encontrados diversos fragmentos dessas. Finamente, os últimos a se instalarem na área, antes da chegada dos europeus, foram os cariris.

“Os índios que habitavam a serra do Bodopitá, ou Serra Velha, como hoje é chamada pelos ingaenses, não davam notícias sobre aquela pedra pintada aos curiosos homens de pele branca, que se botavam sertão adentro, à procura de riquezas ou de Leras boas para a criação de gado (...)”

(Lélis, 1977, pp. 420/422)

Ou seja, segundo Lélis, na época da ocupação branca, essa área ainda era povoada por agrupamentos indígenas, muito provavelmente da nação cariri, do grande grupo Jê, chamados “Tapuias” (bárbaros) pelos Tupis. Essa também parece ser a opinião de Luiz Nunes Alves:

“(...) Falando do interior,
Nós sabemos que ali
Habitava outra nação
Chamada de Cariri,
Por uns, por outros, Tapuias
Os quais nunca usaram cuias
Ao se banhar por aqui.

Para se ter uma idéia
Da grandeza da Nação
Dos chamados Cariris
Basta esta informação:
A raça se estendia
Do Estado da Bahia
Até lá no Maranhão.

Ela, aqui, compreendia,
Coremas- Tocariús,
Ariús, Jaguaribaras,
Panatis, Caratiús,
Pegas, Janduis, Icós,
Bultrina, Paiacus, Xocós,
Tremembés e Sucurus.

Pegas, Panatis, Coremas,
Ficavam no Piancó,
Os sucurus em Monteiro,
Caicós, no Seridó,
Em Cuité, os Janduis,
No mais, eram Cariris,
De Campina a Orobó (...). (Alves, 1984, p. 71)

Supõe-se que nas guerras intertribais os tupis tenham desalojado os cariris do litoral, empurrando-os para o interior.
Esse processo teria se consolidado com a chegada dos novos invasores: os brancos. Talvez seja essa a explicação para o fato de que, na época da conquista branca do interior (além-litoral), a presença de populações nativas ser inexpressiva (sem tribos numerosas) ou até mesmo inexistente, no Piemonte da Borborema.
Os espaços ocupados por comunidades primitivas (como os Cariris e Tupis) caracterizam-se por não sofrerem agressões violentas por parte da ação humana, uma vez que os índios dispõem deles apenas para garantir a sua sobrevivência. Sendo assim, tais espaços só possuem importância na medida em que podem ser utilizados na coleta, pesca, caça e em algumas atividades agrícolas como a plantação de mandioca, milho, batata-doce e algodão destinado para o autoconsumo.
O espaço geográfico, dito agrestino, teria se constituído, então, a partir da atuação de comunidades primitivas e posteriormente de conquistadores portugueses. Com a ação do branco, esse espaço assumirá aspectos específicos do sistema colonial que aproveitará suas condições naturais, submetendo-o, por sua vez, às suas próprias necessidades.

video

Um comentário:

genilsonrj@bol.com disse...

parabens pela a iniciativa de resgatar a historia de uma belissima cidade,faço um apelo não deixe morrer essa historia um grande abraço a todos de terra.