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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

OS NATIVOS: O HOMEM E A TERRA

A história da ocupação humana do território do Ingá, antes da chegada do europeu, é ainda desconhecida. Não se sabe ao certo quando e como ocorreu o surgimento do homem nesse espaço (como de resto em todo o continente americano) e o pouco que sabe é confuso e controvertido. Os dados existentes se referem ao povoamento na época da conquista européia e mesmo esses são contraditórios.
Alguns historiadores afirmam que de Copaoba (Serra da Raiz) até o sul o atual Estado da Paraíba, com exceção do litoral, não havia aldeias indígenas.

“Toda a caatinga litorânea que vai de Guarabira a Pedras de Fogo através de Magoa Grande, Mulungu, Alagoinlia, Araçá, Sapé, Salgado, Pilar, Gurinhém, São Miguel de Taipu, Itabaiana e Mogeiro, Natuba, Aroeira, Umbuzeiro era terra desocupada. Pelo menos assim foi encontrada na época da conquista. Nenhuma aldeia por aquelas bandas nem mesmo no Ingá” (Almeida, 1978, p.75)

Ao contrário, Balduíno Lélis - estudioso das itaquatiaras - afirma que os conquistadores europeus, ao chegarem à área hoje ocupada pelo Ingá, estabeleceram contatos com os nativos ali fixados: os cariris da tribo sucuru. No entanto, segundo Lélis, não foram os cariris nem os tupis que fizeram as inscrições da Pedra Lavrada. Isso teria ocorrido em época mais remota, muito antes da chegada desses grupos.
Depois do povo que esculpiu a pedra e, antes dos cariris, teria vivido nessa área, um grupo que já conhecia a cerâmica (que os cariris desconheciam), pois ali foram encontrados diversos fragmentos dessas. Finamente, os últimos a se instalarem na área, antes da chegada dos europeus, foram os cariris.

“Os índios que habitavam a serra do Bodopitá, ou Serra Velha, como hoje é chamada pelos ingaenses, não davam notícias sobre aquela pedra pintada aos curiosos homens de pele branca, que se botavam sertão adentro, à procura de riquezas ou de Leras boas para a criação de gado (...)”

(Lélis, 1977, pp. 420/422)

Ou seja, segundo Lélis, na época da ocupação branca, essa área ainda era povoada por agrupamentos indígenas, muito provavelmente da nação cariri, do grande grupo Jê, chamados “Tapuias” (bárbaros) pelos Tupis. Essa também parece ser a opinião de Luiz Nunes Alves:

“(...) Falando do interior,
Nós sabemos que ali
Habitava outra nação
Chamada de Cariri,
Por uns, por outros, Tapuias
Os quais nunca usaram cuias
Ao se banhar por aqui.

Para se ter uma idéia
Da grandeza da Nação
Dos chamados Cariris
Basta esta informação:
A raça se estendia
Do Estado da Bahia
Até lá no Maranhão.

Ela, aqui, compreendia,
Coremas- Tocariús,
Ariús, Jaguaribaras,
Panatis, Caratiús,
Pegas, Janduis, Icós,
Bultrina, Paiacus, Xocós,
Tremembés e Sucurus.

Pegas, Panatis, Coremas,
Ficavam no Piancó,
Os sucurus em Monteiro,
Caicós, no Seridó,
Em Cuité, os Janduis,
No mais, eram Cariris,
De Campina a Orobó (...). (Alves, 1984, p. 71)

Supõe-se que nas guerras intertribais os tupis tenham desalojado os cariris do litoral, empurrando-os para o interior.
Esse processo teria se consolidado com a chegada dos novos invasores: os brancos. Talvez seja essa a explicação para o fato de que, na época da conquista branca do interior (além-litoral), a presença de populações nativas ser inexpressiva (sem tribos numerosas) ou até mesmo inexistente, no Piemonte da Borborema.
Os espaços ocupados por comunidades primitivas (como os Cariris e Tupis) caracterizam-se por não sofrerem agressões violentas por parte da ação humana, uma vez que os índios dispõem deles apenas para garantir a sua sobrevivência. Sendo assim, tais espaços só possuem importância na medida em que podem ser utilizados na coleta, pesca, caça e em algumas atividades agrícolas como a plantação de mandioca, milho, batata-doce e algodão destinado para o autoconsumo.
O espaço geográfico, dito agrestino, teria se constituído, então, a partir da atuação de comunidades primitivas e posteriormente de conquistadores portugueses. Com a ação do branco, esse espaço assumirá aspectos específicos do sistema colonial que aproveitará suas condições naturais, submetendo-o, por sua vez, às suas próprias necessidades.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Turismo na cidade de Ingá

RESUMO
O presente trabalho consiste na prospecção do potencial turístico da Itacoatiara do Ingá, monumento arqueológico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, por ser considerado como um dos mais importantes de seu gênero no Brasil.
Embora ainda sejam um mistério as inscrições que recobrem a Pedra do Ingá, maciço formado por blocos de gnaisse, são fonte de estudos para arqueólogos profissionais e amadores, pois podem esclarecer detalhes da vida cotidiana dos habitantes primitivos daquela localidade.
Esse artigo pretende mostrar o grande potencial turístico cultural que existe naquele sítio arqueológico, hoje pouquíssimo divulgado e explorado de maneira irregular. Os aspectos estudados fazem parte da busca do conhecimento para apresentação de medidas que ajudem a desenvolver o turismo cultural na Paraíba.

INTRODUÇÃO

Sabemos que o turismo exerce, atualmente, um papel decisivo em vários países, sendo, em muitos casos, o verdadeiro carro-chefe dos desenvolvimentos econômico, social e cultural.
O Brasil vem, ano a ano, preocupando-se e dando atenção ao desenvolvimento turístico de diversas regiões do país. O potencial que a nação possui é realmente gigantesco: riquezas naturais e culturais, além de um povo que tem um calor humano muito grande. De acordo com a EMBRATUR, o Brasil conta atualmente com mais de mil municípios com potenciais turísticos. Cabe a cada um deles procurar desenvolver e explorar seus atrativos, atentando-se para a questão da hospitalidade.
Assim, tomaremos como discussão o município de Ingá, no interior da Paraíba, o qual ainda não despertou para o seu potencial. Cabe aqui ressaltar que o poder público exerce um papel fundamental na hora de alicerçar um plano de desenvolvimento turístico sustentável, em parceria com a iniciativa privada. Mas sem dúvida, sem a participação da comunidade receptora, falta o alicerce para sustentação e o sucesso da atividade.
A Pedra do Ingá localizada no municipio de Ingá é um monumento arqueológico, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), considerado, por muitos estudiosos, como um do mais importantes de seu gênero no Brasil. As inscrições despertam interesse de cientistas, pois podem reunir muitas informações sobre a vida e os costumes do homem pré-histórico em nosso continente. A Itacoatiara do Ingá é considerada como um dos monumentos arqueológicos mais significativos do Nordeste (CLEROT, 1969).
Estudos indicam que todas as constelações zodiacais encontram-se devidamente representadas nas inscrições do platô da Pedra; sendo que a situação equinocial do Escorpião permite supor que as inscrições sejam anteriores a 2.100 a.C. (A saga da astrologia no Brasil).
A escrita do Ingá é, talvez, o único documento epigráfico indecifrado (BRITO, 1993). Embora ainda cobertas de mistério, as inscrições que recobrem o bloco lítico são, há bastante tempo, fonte de estudos para arqueólogos profissionais e amadores, pois podem esclarecer detalhes da vida cotidiana dos habitantes primitivos daquela localidade. Muitas especulações são feitas a respeito de tais figuras rupestres: seriam elas o registro de um contato com alienígenas? O ar fantástico e misterioso da Itacoatiara do Ingá só motiva, ainda mais, o interesse por sua história e, como não poderia ser diferente, as visitas de curiosos ao local.
O fascinante mundo do enigmático vai permitir uma curiosa viagem pela Itacoatiara do Ingá, documento lítico ainda não decifrado e principal ponto de curiosidade dos turistas epesquisadores que visitam a Paraíba. Seja qual for a sua significação a “Pedra Lavrada” do Ingá indecifrada ou inexplicada constitui um interessante e valioso documento da nossa pré-história.
A pedra que é formada por blocos de gnaisse divididos em três painéis, tendo o bloco principal 24 metros de comprimento por 3,8 m de altura. Há muitos sulcos e pontos capsulares seqüenciados, ordenados, que lembram constelações, embarcações, serpentes, fetos e variados animais, todas parecendo o modo que os indígenas ou os visitantes de outras latitudes tinham para anunciar idéias ou registrar fatos e lendas.
Esse estudo pretende mostrar o grande potencial turístico cultural que existe naquele sítio arqueológico, hoje pouquíssimo divulgado e explorado de maneira extremamente
irregular.
O objetivo deste trabalho é mostrar a capacidade turística das Itacoatiara do Ingá, um lugar que ainda guarda segredos e mistérios. Portanto está sendo proposto um conjunto de ações estratégicas para incrementar as atividades turísticas no Município do Ingá, na Paraíba, diagnosticar o potencial turístico e elaborar propostas para desenvolver o turismo em parceria com os Órgãos de turismo e sugerir o envolvimento da comunidade local nas ações de planejamento do turismo sustentável.

A Itacoatiara do Ingá e o Turismo

Até hoje a visita de turistas à Itacoatiara do Ingá é esporádica e tem apenas um caráter turístico complementar. Ou seja, o município do Ingá e sua Itacoatiara não estão, necessariamente, nos roteiros de viagem praticados na Paraíba. Porém, os turistas de passagem para centros mais próximos, como Campina Grande, João Pessoa, Itabaiana ou Caruaru, algumas vezes, estendem sua curiosidade e, segundo os moradores do município, “dão uma entradinha para ver a pedra” (Cavalcanti et al, 1993).
Neste contexto, o turismo desenvolvido é predatório, pois as festividades têm sido realizadas dentro, ou melhor, nos arredores do monumento arqueológico. São instaladas barraquinhas para a venda de bebidas, comidas típicas e artesanato onde são instalados aparelhos de som. Resultado: o lixo acaba sendo jogado no rio ou nos “buracos” da Itacoatiara; enquanto a própria pedra é utilizada como passarela para desfiles, forrós e encontros. Esse comportamento revela que os interesses pelo turismo e pela preservação das inscrições são mínimos. A população, em geral, por razões ligadas à sua condição social, pela falta de meios de formação e informação, pela revolta por seus baixos salários e péssimas condições de vida, não consegue perceber a importância que a “pedra lavrada” tem.
No local foi construído um restaurante e surgiu um Museu de História Natural, que acolhe cerca de duas dezenas de fósseis de animais que aí viveram, retirados do sítio Maringá e em Riachão do Bacamarte (SITIOS ARQUEOLÓGICOS DA PB, 2003).
O que se tem notado ultimamente é que, embora as Itacoatiara não tenham atraído o turismo doméstico, há muita presença de turistas de outros países, que vem através de pacotes, normalmente oferecidos por agências receptivas de Natal e que passam de forma rápida, sem ter gastos financeiros no local.

Revitalização do Sítio Arqueológico

A Pedra Lavrada pode vir a ser o instrumento do retorno à prosperidade econômica e social do município. Para isso, ela precisa ser respeitada, bem tratada e preservada.
É necessário manter sempre em bom estado de conservação a rodovia PB 095 que liga a BR 230 até Ingá, pois esta invariavelmente, encontra-se em mau estado de conservação, já que sua construção inicial não foi de boa qualidade.
É preciso uma fiscalização mais intensa, visando coibir a presença de vândalos, ou ainda de pesquisadores, como aconteceu com o Professor Joel Rotd que se valeu dos conhecimentos arqueológicos das professoras Gabriela Martin (UFPE) e Maly Trevas e, por conta do material corrosivo que utilizaram em suas pesquisas, as inscrições da parte esquerda da Pedra estão desaparecendo. Essa pesquisa foi feita sem autorização do IPHAN e foi noticiada na imprensa pessoense (O Norte, João Pessoa, 04nov2001).

É preciso preparar melhor os funcionários incumbidos de cuidar do local, para que, ao chegarem pessoas dizendo-se autorizadas por determinado órgão ou pessoa, para que a informação seja checada, antes de se autorizar qualquer ação no sítio arqueológico.
É necessário uma melhor estruturação do local, com bom restaurante, instalações sanitárias adequadas e limpas, local para venda de produtos regionais, livros e material de informações sobre o local.
É preciso fazer uma estrutura de proteção das pedras, visando evitar o desgaste pela própria natureza ou ação de vândalos. Há apenas uma corda ao redor da pedra principal.
É necessária uma melhor divulgação, mostrando a importância de conhecer parcela importante dos antigos homens que passaram ou viveram nessa terra e ainda ter uma chance de redenção econômica para o município: o turismo.

A Cidade de Ingá e o seu Potencial Turístico

Ingá é um município situado no Agreste Paraibano, com 197,1 km² e sua população, de acordo com o Censo 2000, é de 17.939 habitantes. Faz limites com os seguintes municípios: Serra Redonda, Massaranduba, Campina Grande, Itaituba, Mogeiro e Juarez Távora. Seu clima é seco, com temperaturas máximas de 37 graus e mínima de 22 graus. O inverno começa em abril e se estende até junho.
O município ficou famoso por causa de uma pedra misteriosa e cheia de segredos. Por volta de 1599, houve o primeiro contato do homem branco com as terras do município de Ingá. A povoação dessas terras só teria se iniciado no século XVII, a partir de pousadas à sombra de enormes ingazeiros (daí o nome de origem), que na naquela época existiam à margem do rio, sendo que o primeiro aglomerado populacional foi a antiga povoação do Bacamarte, justamente no local onde hoje está a ponte de cimento armado que liga dois bairros da cidade.
Em meados do século XVII já se encontravam instalados na região do Ingá pequenos situantes e grandes criadores de gado. Surgiram grandes propriedades com construções de capelas dedicadas a Nossa Senhora da Conceição, em torno da qual se formou um povoado que prosperou graças às condições favoráveis da área para o cultivo de algodão e de culturas como milho e feijão.
É uma cidade que guarda lembranças do tempo dos escravos, mas também chama a atenção por pequenas modernidades. Nos lados de uma rua se pode ver o que um dia foi uma senzala e uma casa de senhor de escravos: a senzala está abandonada. A casa-grande, habitada e equipada com antena parabólica (O Norte, 06abr2003).

PROPOSTAS DE AÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DA
ITACOATIARA DO INGÁ


Após o diagnóstico do potencial turístico da região, observou-se a necessidade de melhorias consideráveis na região para que a mesma possa ser incluída dentro de um projeto turístico no Estado da Paraíba.
Diante da atual conjuntura em que se encontra a Itacoatiara do Ingá, necessário se faz elaborar um planejamento estratégico que vise dar condições de tornar o local um atrativo turístico. Deste modo propõe-se:
· Promover campanhas educativas para a comunidade local, visando esclarecer e informar a importância do turismo como agente fomentador de divisas para a região e melhoria na qualidade de vida.
· Envolver os moradores locais, treinando-os e preparando-os para receber turistas e com isto aumentar suas rendas familiares.
· Em parceria com Universidades e Órgãos Governamentais e entidades privadas, elaborar um plano de preservação e conservação das Itacoatiara.
· Construção de hotel/pousada e restaurante, visando dar um melhor conforto e até mesmo uma maior permanência do turista no local.
· Organizar um turismo receptivo com origem no Estado da Paraíba.
· Sinalização ao longo das rodovias informando aos viajantes a existência de um sítio arqueológico. No caso da BR 230, a sinalização deveria existir também na saída de João Pessoa. Isso certamente criaria interesse nas pessoas em visitar o local e até mesmo tomar conhecimento da existente, já que é comum as pessoas dizerem que nunca ouviu falar da Pedra do Ingá.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Hoje, por incrível que possa parecer, o monumento da Itacoatiara do Ingá desperta mais interesse para os estrangeiros. Nota-se que são poucos os paraibanos que conhecem ou tem algum interesse em conhecer a sua existência, talvez pela falta de divulgação e pela falta de informações . Até para os estudantes, de todos os graus, a sua importância é relevante, pois não é em qualquer lugar do mundo que se pode ver um monumento desse tipo sobre o qual praticamente tudo ainda está para ser descoberto.
Necessário de faz também é melhorar a estrutura do local, dando melhor conforto ao
turista e provocando uma permanência maior no local. Hoje o turista passa rapidamente pelo local, de meia hora à uma hora, pois não tem qualquer atração complementar que estimule uma permanência maior.
Conforme se verifica no local, é necessário melhorar os aspectos que visem a preservação das inscrições, fazendo-se estruturas para impedir a ação de pessoas desordeiras e inclusive da própria ação do tempo, pois se corre o risco de se perder um patrimônio tão valioso. Há apenas uma corda cercando a Pedra Lavrada do Ingá.
O sítio arqueológico fica em lugar de fácil acesso, com rodovia asfaltada até o local e próximo de João Pessoa (85 km) e de Campina Grande (42 km), localidades com aeroporto e infra-estrutura hoteleira.
Uma atuação conjunta dos Órgãos Municipais, Estaduais e Federais interessados na Proteção do Sítio Arqueológico é de extrema importância. É interessante que a iniciativa privada juntamente com os órgãos governamentais se unam e desenvolvam uma estratégica turística e de preservação da Pedra do Ingá.
Com esse trabalho espera-se contribuir para o desenvolvimento do turismo na Pedra do Ingá, para a cidade do Ingá e sua população.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Horácio de. História da Paraíba. Tomo I. João Pessoa: Editora Universitária - UFPb, 1993.
BRITO, Gilvan de. Viagem ao desconhecido: os segredos da pedra do Ingá (inclui outros registros
rupestres). 3.ed. Brasília: Senado Federal, 1993.

CLEROT, Leon Francisco R. 30 anos na Paraíba (memórias corográficas e outras memórias). Rio de Janeiro: Pongetti,1969.

DESTRUIÇÃO da Pedra do Ingá. O Norte, João Pessoa, 04 nov. 2001.

domingo, 21 de setembro de 2008

Município de Ingá

















Ingá, município no estado da Paraíba (Brasil), localizado na mesorregião do Agreste e na microrregião de Itabaiana.
Índice
1. História de Ingá-PB

2. Geografia de Ingá - PB
3. Rodovia de Ingá - PB
4. Administração - PB
5. Pedra de Ingá

História de Ingá-PB
Fundação: 3 de novembro de 1840
No Interior da Paraíba existe este pequeno município chamado Ingá e ficou famoso por causa de uma pedra misteriosa cheia de segredos. Por volta de 1599, por ocasião da bandeira explorada organizada pelo terceiro governador da Capitania Real da Parahyba - Feliciano Coelho de Carvalho - houve o primeiro contato do homem branco com as terras o município de Ingá.
Ao subir o Rio Paraíba. a bandeira chegou à confluência do rio Ingá seguiu o seu curso e deteve-se no lugar hoje denominado Pedra Lavrada onde ficam os famosos petroglífos que ficam a três kilometros abaixo da atual sede municipal. Do relatório de viagem de Feliciano Coelho consta à descoberta de grandes pedras com letreiros indecifráveis, no leito de um afluente do Rio Paraíba.
A povoação dessas terras só teria se iniciado no século XVII a partir de pousadas sombra de enormes ingazeiros (dai o nome de origem) que então existiam à margem do rio, sendo que o primeiro aglomerado de gente foi a antiga povoação do Bacamarte, justamente no local onde hoje está ponte de cimento armado que liga os bairros de que é constituída a cidade. Por essas terras passavam e paravam os tropeiros que se dirigiam para o sertão, bem como os missionários que, buscando a catequese dos índios Cariri e teriam, provavelmente, seguido ás margens do Rio Paraíba alcançando o Rio Ingá. Como é natural as primeiras rotas seguiam sempre o curso dos rios, O primitivo caminho de penetração do Pilar, fundada em 1670, Fagundes e Bacamarte, não havia na zonada caatinga outras povoações nem qualquer pouso.
Em meados do século XVII já se encontravam instalados na região do Ingá alguns pequenos sitiantes e grandes criadores de gado. Apesar de, nessa área, a criação bovina ter sido realizada em fazendas bem menos extensas que as do sertão inclusive, utilizando cercas para prender o gado, surgindo grandes propriedades com construções de capelas dedicada a Nossa Senhora da Conceição, em tomo da qual se formou um povoado que prosperaram graças às condições favoráveis da área para o cultivo de algodão e de culturas como milho e o feijão.
Em 03 do novembro de 1840, no governo do Presidente de província Francisco Xavier’ Monteiro da França, através da Lei n° 06, a povoação do Ingá foi elevada á categoria de Vila com o nome de Vila do Imperador, tendo no ano seguinte adquirido a condição de freguesia sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição. Esse foi um processo cheio de atropelos, com uma seqüência de decretos que, ora revogavam a criação da Vila (1841 ), ora voltavam a cria-la (1853).
Na verdade o nome oficial “Vila do Imperador” jamais chegou a convencer alguém. Nem seus moradores, nem intelectuais, nem mesmo os governantes. Os relatórios desse se referiam sempre á Vila como sendo a do Ingá. Sendo assim... Em 23 de maio de 1846, a Vila do Imperador passou a chama-se Vila do Ingá definitivamente.
Geografia de Ingá-PB
O município do Ingá se encontra na base das escarpas orientais do Planalto da Borborema no agreste da Paraíba, sob as coordenadas 7°16’04”de latitude sul e 35°36’41” de longitude oeste. De clima quente e seco onde as temperaturas variam entre 22°C e 35°C. - De natureza periódica o riacho Ingá do bacamarte passou a ser artificialmente perene devido o depósitos de esgotamentos de dejeções da cidade do Ingá. Durante o inverno, em decorrência das precipitações pluviais, suas águas passam na frente do conjunto principal da pedra do Ingá submergindo parte dos registros pré-históricos. Acrescidas de impurezas urbanas, as águas do riacho apresentam um alto nível de acidez e junto ao material aluvial, em atrito com a superfície rochosa, acelera o processo de deterioração dos registros rupestres.
O conjunto arqueológico da Pedra Lavrada do Ingá, vale iterar, encontra-se no leito do riacho denominado Ingá ou Bacamarte, um afluente da margem esquerda do rio Paraíba de curso temporário com aproximadamente 60 km de curso, cuja nascente parte do bairro de Nova Brasília, em Campina Grande, e deságua na localidade Dois Riachos, no município de Mogeiro. Toda a extensão do Riacho, no inverno, corre de forma violenta deixando fortes marcas em seu leito. Isso porque sua nascente encontra-se no alto do planalto da Borborema e seu curso se dá por uma de suas vertentes das mais suaves, logo uma das mais longas. Assim, ele não forma cachoeiras que poderiam amortecer sua descida. Vencida a brusca diferença altimétrica o Bacamarte se encaixa na calha do rio Paraíba que lhe força uma nova descida forte até a desembocadura. O conjunto do Ingá, localizado em seu médio curso, fica parcialmente submerso nesse período e susceptível aos choques de material aluvial trazido pela forte correnteza.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2008 sua população era estimada em 18.677 habitantes.
A cidade de Ingá é conhecida por suas itacoatiaras (pedras pintadas, em língua tupi), inscrições rupestres feitas em pedras, provavelmente, pelos indígenas, muito antes dos europeus chegarem ao continente americano. Não se conseguiu ainda decifrar o significado de tais inscrições.
Em Ingá, se encontra aproximadamente a 95,6km de João Pessoa, são famosas as pedras que relembram a pré-história.
Ela Limita-se com os municípios de Mogeiro, Itatuba, Fagundes, Riachão do Bacamarte, Serra Redonda , Juarez Távora e Campina Grande.
ASPECTOS GEOGRÁFICOS
07° 16' 04" S 35° 36' 46" O
Estado: Paraíba
Mesorregião: Agreste Paraibano IBGE/2008 [1]
Microrregião: Itabaiana IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes
Mogeiro, Itatuba, Fagundes, Riachão do Bacamarte, Serra Redonda, Juarez Távora e Campina Grande
Distância até a capital: 95,6 quilômetros
Características geográficas
Área: 197,9 km²
População: 18.168 hab. est. IBGE/2007
Densidade: 59,5 hab./km²
Altitude: 18 metros
Clima: semi-árido
Fuso horário: UTC-3
Indicadores Socio-econômicos
IDH: 0,565 médio PNUD/2000 [3]
PIB: R$ 44.290 mil IBGE/2005 [4]
PIB per capita: R$ 2.578,00 IBGE/2005 [4]

Rodovia de Ingá-PB:


PB-90
BR-408
Administração de Ingá-PB:

Prefeito: Luiz Carlos Monteiro (Lula)
Vice-prefeito: Saulo Burity
Presidente da câmara: Pierre

 Pedra de Ingá:
    

A Pedra do Ingá é atualmente um dos monumentos arqueológicos mais significativos do mundo, situada no município de Ingá no interior da Paraíba . Além de ser um dos mais belos e até pode ser nomeado intrigante e interessante.
Trata-se de um conjunto de pedras, onde há inscrições, cujas traduções são desconhecidas. Têm sido apontadas diversas origens, e há quem defenda origem extraterrestre.
Nessas pedras estão esculpidas várias figuras diversas, representando animais, frutas, humanos, constelações e até a Via Láctea.
A Itacoatiara de Ingá ou Pedra Lavrada de Ingá, na Paraíba, é sem dúvida a mais famosa gravura rupestre do Brasil. No meio do riacho Ingá do Bacamarte, perto da sede do município e a 37 quilômetros de Campina Grande, a Pedra do Ingá é muito visitada, e é grande o perigo de depredação e ruína do monumento. Está situada numa série de blocos de gneiss que estrangula o rio, formando pequenas cascatas e reservatórios d’água. No centro do pedregal, um enorme bloco de 24 metros de largura e três metros de altura com inscrições rupestres. Os desenhos foram realizados seguindo-se uma linha contínua e uniforme, insculpida na rocha, de três centímetros de largura e seis a sete milímetros de profundidade. Relata L. F. Clerot (1969) que até 1953, o conjunto de blocos gravados era bem maior, mas um grupo de trabalhadores enviados pelo proprietário das terras destruiu grande parte do pedregal para a fabricação de lajes de pavimentação. Com a intervenção do Patrimônio Histórico foi suspensa a demolição. Clovis Lima (1953) confirma o fato ao afirmar que as inscrições ocupavam uma área de aproximadamente 1.200 metros quadrados.
Na atualidade, além do grande painel existem alguns grafismos isolados nas proximidades, muito gastos, tanto pela ação das águas como pelas pisadas dos visitantes. Nenhuma inscrição rupestre do Brasil foi tema de tanto interesse para eruditos e pseudo-cientistas como a Itacoatiara de Ingá. A beleza e a complexidade da Itacoatiara de Ingá parecem exigir do arqueólogo respostas que dificilmente ele poderia dar atendendo às informações que até hoje a arqueologia fornece nesses casos.
Ocaso da gravura de Ingá é ainda mais complexo, pois é em muitos aspectos, um caso único, fato que dificulta ainda mais a filiação étnica da famosa Itacoatiara. Existem semelhanças com outros grafismos encontrados na região do Seridó e nos Cariris Velhos, mas, como conjunto gráfico homogêneo na técnica, na organização e aproveitamento do espaço gráfico e na indubitável mensagem que o painel gravado transmite, a Itacoatiara de Ingá é única.
Por essa razão as interpretações que a Pedra Lavrada de Ingá, tem sofrido, vão desde as explicações e “traduções” mais desvairadas - nas quais não faltam gregos fenícios e outros visitantes transatlânticos ou transpacíficos - até explicações lógicas, porém impossíveis de serem cientificamente demonstradas. A verdade é que os grafismos de Ingá não oferecem nenhuma explicação fácil e lógica e é até possível que a sua finalidade fosse precisamente essa e que, através dos séculos, estejam conseguindo seu propósito o autor ou os autores dos petróglifos. O seu grande poder reside, exatamente, no mistério. Nenhum sítio pré-histórico com pinturas ou gravuras rupestres, em todo o Brasil, atraiu tantas pessoas dispostas a opinar e decifrar, como a Pedra do Ingá, cujo impacto visual impressiona os leigos e desafia a arqueologia.
















Descrição dos processos intempéricos na Itacoatiara do Ingá

O Monólito do Ingá, conhecido como pedra lavrada ou Itacoatiara do Ingá. Localizado proximidades da cidade do mesmo nome, apresenta-se como um grande bloco de rocha gnaisse, emergente do leito do rio ingá.
O conjunto arqueológico da Pedra Lavrada do Ingá, vale iterar, encontra-se no leito de uni riacho denominado Ingá ou Bacamarte, um afluente da margem esquerda do rio Paraíba de curso temporário com aproximadamente 60 km de curso, cuja nascente parte do bairro de Nova Brasília, em Campina Grande, e deságua na localidade Dois Riachos, no município de Mogeiro. Toda a extensão do Riacho, no inverno, corre de forma violenta deixando fortes marcas em seu leito. Isso porque sua nascente encontra-se no alto do planalto da Borborema e seu curso se dá por uma de suas vertentes das mais suaves, logo uma das mais longas. Assim, ele não forma cachoeiras que poderiam amortecer sua descida. Vencida a brusca diferença altimétrica o Bacamarte se encaixa na calha do rio Paraíba que lhe força uma nova descida forte até a desembocadura. O conjunto do Ingá, localizado em seu médio curso, fica parcialmente submerso nesse período e susceptível aos choques de material aluvial trazido pela forte correnteza.
De natureza periódica o riacho Ingá do bacamarte passou a ser artificialmente perene devido o depósitos de esgotamentos de dejeções da cidade do Ingá. Durante o inverno, em decorrência das precipitações pluviais, suas águas passam na frente do conjunto principal submergindo parte dos registros pré-históricos. Acrescidas de impurezas urbanas, as águas do riacho apresentam um alto nível de acidez e junto ao material aluvial, em atrito com a superfície rochosa, acelera o processo de deterioração dos registros rupestres.
O desmatamento ciliar é outro fator a ser observado, pois a falta de sombra impõe á Pedra do Ingá um permanente processo natural de erosão devido aos choques térmicos (termoclastia) decorrentes da ação do aquecimento equatorial diurno é do resfriamento da noite. Este processo contínuo tende a contrair e dilatar a pedra provocando a perda gradativa de suas camadas superiores, levando consigo os registros gravados no suporte rochoso. Manuel Gonzales Morales, catedrático de pré-história da universidade espanhola de Cantábria, em 1994, denunciava que na Pedra do Ingá. Nos últimos anos, a descamação vinha ocorrendo de maneira acelerada, fato que também poderia estar associado aos abalos sísmicos no ato das pisadas constantes sobre o lajedo.
Como vemos o conjunto rupestre do Ingá não corresponde hoje ao que foi, quando feito no longínquo passado ignoto. A cada dia este importante documento arqueológico vem se desgastando por meios naturais e antrópicos, por isso, sugerimos que algo seja feito para a salvaguarda deste patrimônio da humanidade. Nossa sugestão seria uma passarela uma de acesso suspensa por sobre o lajedo e um reflorestamento da área para amenizar o processo de compressão e dilatação do rochedo, todavia, este empreendimento compete aos órgãos públicos, pois exige um desvio parcial do curso do rio bacamarte. Recentemente, professor da UEPB Juvandi de Souza Santos, em conjunto com uma equipe de escoteiro-mirins, plantou diversas mudas de árvores nativas tentando recompor a mata ciliar do riacho nas proximidades da Pedra do Ingá, mas, infelizmente, estas foram varridas pela força das enxurradas. Estas mesmas também varreram uma proteção que cercava os painéis.